sábado, 3 de janeiro de 2009
O amor...
Duas mãos entrelaçadas
Num beijo que teima em não morrer…
Ou então um dia eterno à sua maneira,
Uma forma de sermos imortais
Se não recearmos o anoitecer…
Um coração à noite tem sempre frio
E é sempre mais amargurado
Porque sabe que o seu dia já fugiu…
Fábio Nobre 14\04\08
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Diferenças...

Nunca tiveste fé nas pessoas. Considerava-as pesadas demais para voar. E no entanto, ouvia-te à noite a chorar lágrimas que não te pertenciam. Desgostos passados que teimavam em trespassar a tua armadura egocêntrica. Andaste muito tempo perdida em antigos tormentos e não me quiseste como farol. Acabaste por embater nos rochedos que pensavas já ter vencido.
Quem te magoou dessa forma? Que punhal te feriu de morte? Quantas pessoas te fizeram perder a esperança na nossa espécie? Nunca encontrei respostas para as perguntas que te distanciavam de mim. Senti-me sempre uma pedra na tua vida. As excepções contavam-se pelos dedos, naqueles raros momentos em que me beijavas ardentemente, como que a pedir socorro.
No resto do tempo, deambulavas sozinha nessa tua ilha deserta. E eu nunca soube ser o teu barco de resgate.
Fábio Nobre 21\11\2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Estilhaçado...

Ainda hoje quando olho para o teu retrato na minha mesa-de-cabeceira não consigo fingir que não me afectas. E quando a encosto ao meu peito ainda sinto os teus cabelos nas minhas mãos, o teu perfume pelo ar, os teus olhos cor-de-avelã a penetrarem-me na alma. Ainda verto algumas lágrimas por ti. Sei que nunca me amaste. Nem eu sei até que ponto te amei. Mas algo em mim ficou estilhaçado quando deixei de te ver e sentir.
Hoje o dia está cinzento. Como da última vez que te vi. Mas dessa vez chovia. Chuva que apenas caia dentro de mim. Mas fui forte, sequei as gotas de água salgada e virei costas sabendo apenas que alguma coisa dentro de mim tinha sido estilhaçada.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Às vezes...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008
o ser Desumano
Radicalismos extremados por uma religião que se esquece de falar de amor. Kamikazes em busca de um paraíso perdido num qualquer livro poeirento. O desprezo agonizante que se dá ao ambiente e à Mãe Natureza em troca dos arranha céus e dos transportes mecânicos e poluentes. Fábricas imundas que crescem a um ritmo atroz para produzir coisas fúteis e superficiais que apenas enganam e iludem as massas, cegas pela estupidez que a sociedade lhes impinge através dos sistemas “educativos”. Um verdadeiro poço de estrume no qual todos nós aprendemos irremediavelmente a nadar para ofendermos e marginalizarmos os poucos que ainda dão a mão às árvores e às águas límpidas.
A cor da pele que importa mais do que o bater do coração. A ignorância e o analfabetismo que esmaga o povo de cor negra e que, durante toda a história da Humanidade, o obrigou a lutas sobre-humanas somente para existir. A nossa espécie está com manchas de sangue irremediáveis e a nossa alma está condenada a carregar o eterno peso da discriminação que nos faz rastejar entre os vermes.
Os pequenos gestos de amor e bondade que ainda se avistam de quando em vez são imediatamente abafados pela pura maldade que emana do mais profundo do nosso ser.
O ser Desumano é mais eficiente de arma em punho do que de flor na mão. Apenas por isso se destroem imensas florestas e apenas por isso se fabricam toneladas de material bélico.
Fábio Nobre
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Histórias...

O amor é talvez um precipício. Todos caímos nele mas nem todos nos levantamos. Tudo se resume a esse sentimento. As palavras que não saem, os fins de tarde passados sem sorrir, as mãos que cobrem uma face sem esperança. O tempo que passa e o que fica. O que passa na nossa vida e o que fica na nossa alma. As saudades, os remorsos, os enganos…
Histórias apenas…Que se entrelaçam, que se amachucam, que colidem, destroem mas que não vivem sozinhas. Histórias que não acabam, que teimam em não começar, que não se percebem, que doem cá dentro, que nos tornam imortais, que nos matam todos os dias um bocadito. No fim, são histórias. A minha, a tua, a dela, a nossa. A vida não é um conto de fadas. As histórias não acabam sempre bem. Não ficamos sempre com a princesa, não construímos sempre o nosso castelo. Não vivemos sempre felizes para sempre…
O meu desejo é humilde. Apenas o de amar e ser amado. O de acordar sempre com beijos apaixonados. O de fazer amor na praia uma e outra vez. O de ver na mulher que amo a própria extensão do meu ser. O de ter ajuda para escrever a minha história…
Fábio Nobre
sábado, 21 de junho de 2008
O mundo pode ser meu

De vez em quando, estou sozinho no mundo. Quando não sinto os outros como meus, quando não me transmitem quaisquer sentimentos. Estou sozinho porque o mundo pode ser meu se eu quiser. Sem ninguém por perto as feridas doem um pouco menos e as lágrimas são menos salgadas. Sim, ter o mundo para nós é preciso. Para repararmos que o céu está diferente, que o sol nos parece mais distante ou que, ao anoitecer, algo falta na harmonia do negro manto que nos envolve.
O mundo pode caber no nosso bolso. As coisas que nos magoam podem caber no nosso bolso. A grandeza está no que sentimos. No que somos e no que fazemos.
O mundo pode ser meu. É-o neste momento. Apenas para reforçar as cordas que me prendem aos sonhos que não posso nunca perder. E embora o céu possa ser menos azul hoje, a esperança de o ver novamente resplandecente amanha dá significado ao acto de viver. Não podemos perder a fé neste mundo que possuímos. Pelas imensas coisas horrendas que possui compensa de forma simples mas estrondosa. Através de um sorriso de uma criança, de uma pessoa altruísta, de uma senhora de cadeira de rodas que adora viver, de um mergulho numa praia qualquer.
Fábio Nobre 21\06\2008