segunda-feira, 1 de novembro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Perder-te
E os dias trespassam-me o espírito sabias? E as noites são um incêndio que me cercam e me impedem de dormir. E as memórias são cordas que me enforcam. E esta casa é uma cadeira eléctrica. E a rua é ácido sulfúrico no estômago. E isto porque te perdi, porque no dia em que o teu corpo deixou de te pertencer eu esqueci-me do que é sorrir. E até o tempo me corroer as vísceras e me levar para perto de ti, chorarei de todas as formas possíveis. Estamos os dois mortos, a diferença é que eu ainda respiro.
Fábio Nobre
domingo, 11 de julho de 2010
Agora que partiste
E sobre mim
Deixaste as cinzas do teu amor
Agora que o dia se dilui
Tímido mas sublime
E o mar escurece
Agora que as luzes da cidade
Aprendem a brilhar mais uma vez
E as ruas ficam abertas
Agora que a vida se deita
E adormece aconchegada
Longe dos punhais
Agora finalmente sei
Que há algo de grandioso
Nas coisas que terminam.
Fábio Nobre
segunda-feira, 29 de março de 2010
Não consigo saber o que sou

Os dias acumulam-se em meus ombros, como se me martelassem o peso do tempo. Estou atrasado, estou adiantado, não estou. A vida foge-me com a mesma voracidade com que a persigo. Perco tempo a persegui-la, perco tempo a desejá-la. Estou intermitente, ora sou, ora quero ser.
Mais vale sentar-me e ficar vazio. Não ser os sentimentos nem as emoções. Dentro das minhas pálpebras, sou tudo. Deixo-me ficar assim. E o mundo continua na mesma…
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Memórias...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
A quê?

Até onde vai o nosso coração? Capaz do melhor e do pior, percorre as extremidades do nosso espírito. Quem somos e do que somos capazes? Fazer da água vinho, voar com asas de seda? Em que ponto nos precipitamos? Qual o limite para as nossas acções?
Será o amor a medida de todas as coisas? Será o ser humano capaz de conter em si tudo o que há no universo? Conseguiremos nós ser mais do que vermes rastejantes? Haverá momentos em que somos sublimes? Hoje a vida é um poço escuro mas amanhã tudo parecerá melhor
domingo, 20 de dezembro de 2009
Ser criança...

Eu já fui criança. Já joguei ao berlinde, já joguei à bola com uma garrafa de plástico, já gostei da menina mais bonita da turma. Acordava cedinho de manhã para ver os desenhos animados, brincava na rua com os meus amigos, chegava atrasado para jantar porque não ouvia a minha mãe chamar. Já possuí no olhar o brilho da irresponsabilidade, da ingenuidade. Acreditei que os bebés nasciam de beijinhos na boca, não pensava nos problemas do mundo, a minha vida começava e acabava na minha cidade. Tinha a certeza que o pai natal descia da chaminé e tinha pena por sujar as calças de cinza quando aterrasse na lareira. Abraçava a minha mãe e não tinha medo de lhe dizer que a amava, admirava o meu pai e queria ser Homem como ele um dia.
Eu já fui criança. A minha vida já foi um recreio. Já acreditei nas coisas perfeitas. Já quis ser astronauta. Imaginava que iria casar com uma menina linda, de longos cabelos escuros e teríamos muitos filhos pequeninos. Já fui criança. Já fui feliz.
Já não sou mais criança.
Fábio Nobre 13/11/09
