quarta-feira, 1 de abril de 2009
O mundo é teu

O cheiro a pipocas de uma vendedora ambulante. O sol na tua cabeça. A vida num dia de cada vez. Pensa nisso. A vida num dia de cada vez. Não apressemos as coisas. Sejamos somente o presente. Sejamos a criança que saboreia o gelado de chocolate, o velhote na sua tranquilidade, os miúdos traquinas, os passarinhos que voam…
Percebes agora a beleza do presente? Vês agora a beleza da vida? Entendes agora que o presente é tudo o que temos? Abre os braços e sorri…porque o mundo é teu sempre que quiseres.
Fábio Nobre 27\02\2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
ÉS...

És o meu ponto fraco. Onde as coisas me doem com mais voracidade. És as feridas que nunca cicatrizam. És as minhas lágrimas num dia de chuva. O incêndio que lavra em mim há tempo demais. És talvez a tempestade de areia que me tornou um deserto.
Não sei onde acabo eu e começas tu. Não sei ao certo que palavras são tuas nas minhas frases. Sei apenas que és o meu medo. O local em mim onde a fronteira entre o que desejo e temo são difusas. O sítio onde nunca é dia e nunca é noite…
Fábio Nobre
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Preciso-te
E na manha seguinte quero sentir-te com as ondas salgadas. Com os cabelos molhados e areia nas mãos. Desfrutar o que amo em ti vezes sem conta. Quero ser cada palavra que te fica engasgada na garganta, cada suspiro que não podes conter, cada fantasia, cada gemido de prazer que te denuncia. Preciso de te consumir e que me consumas também. Uma e outra vez. Nos lençóis transpirados pelo que nos une e na praia, para que o oceano se sinta intimidado com a tua beleza.
É urgente que me ames. Que queiras desaguar em mim sem receio. Preciso-te! De todo o teu ser, como a extensão do meu próprio corpo…
Fábio Nobre 1\12\2008
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Quando estás...

Sou teu porque não sou de ninguém. Porque de mão dada somos um só, almas siamesas do tamanho do tempo que temos pela frente. Amo-te de forma natural e da forma mais exagerada que é possível amar. Como se o amanhã se perdesse num buraco negro e tudo cessasse de ser, assim eu te amo. Amo-te em cada segundo com a intensidade dos anos que virão. Amo-te já com as rugas que terei daqui a cinquenta anos e com as dores ciáticas que me assolarão. Amo-te já com os cabelos brancos e com a bengala que um dia usarei. Amo-te já com o coração fraco de tanto bombear, com os músculos atrofiados, com o sangue menos quente. Amo-te já a minha vida toda para que não percamos mais tempo com palavras. Sou teu em tudo o que em ti existe e em tudo o que em mim existiu. Sou teu porque já não sei ser de outra forma, porque é em ti que reside o meu nascer do sol.
Fábio Nobre 17\01\09
sábado, 3 de janeiro de 2009
O amor...
Duas mãos entrelaçadas
Num beijo que teima em não morrer…
Ou então um dia eterno à sua maneira,
Uma forma de sermos imortais
Se não recearmos o anoitecer…
Um coração à noite tem sempre frio
E é sempre mais amargurado
Porque sabe que o seu dia já fugiu…
Fábio Nobre 14\04\08
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Diferenças...

Nunca tiveste fé nas pessoas. Considerava-as pesadas demais para voar. E no entanto, ouvia-te à noite a chorar lágrimas que não te pertenciam. Desgostos passados que teimavam em trespassar a tua armadura egocêntrica. Andaste muito tempo perdida em antigos tormentos e não me quiseste como farol. Acabaste por embater nos rochedos que pensavas já ter vencido.
Quem te magoou dessa forma? Que punhal te feriu de morte? Quantas pessoas te fizeram perder a esperança na nossa espécie? Nunca encontrei respostas para as perguntas que te distanciavam de mim. Senti-me sempre uma pedra na tua vida. As excepções contavam-se pelos dedos, naqueles raros momentos em que me beijavas ardentemente, como que a pedir socorro.
No resto do tempo, deambulavas sozinha nessa tua ilha deserta. E eu nunca soube ser o teu barco de resgate.
Fábio Nobre 21\11\2008
sábado, 1 de novembro de 2008
Estilhaçado...

Ainda hoje quando olho para o teu retrato na minha mesa-de-cabeceira não consigo fingir que não me afectas. E quando a encosto ao meu peito ainda sinto os teus cabelos nas minhas mãos, o teu perfume pelo ar, os teus olhos cor-de-avelã a penetrarem-me na alma. Ainda verto algumas lágrimas por ti. Sei que nunca me amaste. Nem eu sei até que ponto te amei. Mas algo em mim ficou estilhaçado quando deixei de te ver e sentir.
Hoje o dia está cinzento. Como da última vez que te vi. Mas dessa vez chovia. Chuva que apenas caia dentro de mim. Mas fui forte, sequei as gotas de água salgada e virei costas sabendo apenas que alguma coisa dentro de mim tinha sido estilhaçada.
